
O baixo volume de água da Barragem do Poxim, em São Cristóvão, que opera com apenas 21,9% da capacidade, acendeu um alerta para a segurança do abastecimento de água da Grande Aracaju. Diante desse cenário e dos efeitos da estiagem associada ao El Niño, o Comitê Estadual de Gestão de Eventos Climáticos Extremos (Cegec) realizou mais uma vistoria, neste sábado, 7, para avaliar o nível do reservatório e as providências necessárias.
A segunda visita do dia contou com a participação do governador Fábio Mitidieri, que acompanha o trabalho de monitoramento e planejamento desenvolvido desde maio, com a participação de diversas secretarias e órgãos estaduais.
Durante a visita, o governador alertou para os reflexos da redução do volume no abastecimento. “Nós estamos hoje com 21,9% da capacidade. Isso afeta o abastecimento da Região Metropolitana da capital. Nós devemos passar agora por um racionamento de água, isso, infelizmente, é uma realidade”, afirmou.
O chefe do Executivo estadual apresentou algumas das medidas adotadas para ampliar a disponibilidade de água, como a reativação do sistema Poxim II, que vai auxiliar na redução da retirada de água da barragem, e a operação das adutoras do São Francisco 1 e 2, que já trabalham na capacidade máxima. O Estado também está perfurando novos poços, com a expectativa de colocar mais sete em funcionamento até o fim de novembro. Outra iniciativa é a construção de uma estrutura de tratamento de água na barragem, com conclusão prevista para novembro de 2027.
Em relação ao interior, o gestor afirmou que, apesar da redução dos níveis dos reservatórios, a situação permanece relativamente sob controle. Segundo ele, o volume disponível nas barragens ainda permite atender às necessidades da população nos próximos meses, enquanto o Governo acompanha a evolução do cenário e aguarda o retorno das chuvas.
O governador anunciou ainda que se reunirá, na segunda-feira, 9, com os prefeitos da Grande Aracaju para apresentar a situação hídrica.
Monitoramento
A vistoria deste sábado foi a segunda realizada pelo comitê ao longo do dia. Pela manhã, os representantes estiveram no sistema Poxim II, cuja reativação contribuirá para reduzir a pressão sobre a barragem. Para o subsecretário estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Queiroz, o acompanhamento presencial é importante para avaliar as condições do reservatório e subsidiar as decisões do Governo. “É importante trabalhar as hipóteses de forma responsável e técnica, para que a gente possa planejar e atuar com o comitê, levando essas informações para a tomada de decisão do governador”, explicou.
Planejamento integrado
À frente da articulação intersetorial, a secretária de Estado do Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan), Melina Tavares, destacou que o trabalho começou antes do agravamento do cenário, com reuniões entre as unidades do Governo e instituições parceiras para antecipar possíveis impactos do fenômeno climático. “Desde maio, a gente tem se reunido com todos os atores e unidades setoriais do Governo do Estado para avaliar, de forma antecipada, o que poderia acontecer no fim do ano e organizar um pacote de medidas”, afirmou.
Segundo a secretária, o acompanhamento é contínuo, com reuniões, boletins e monitoramento das barragens em articulação com as áreas responsáveis. “O grande diferencial do Governo do Estado é fazer essa articulação, esse pacote de medidas de forma integrada com cada unidade, para fortalecer e potencializar as respostas no menor espaço de tempo possível”, ressaltou.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac) também mantém o monitoramento diário das condições meteorológicas e dos seis reservatórios acompanhados no estado. De acordo com a secretária Ingrid Cavalcanti Feitosa, a redução das chuvas e as temperaturas elevadas contribuem para diminuir as reservas hídricas, tanto pela menor reposição de água quanto pelo aumento da evaporação. “Quando temos precipitações baixas e temperaturas muito altas, as taxas de evaporação das águas dos rios e a evapotranspiração do solo e das plantas aumentam. Esse conjunto faz com que nossas reservas hídricas fiquem bem reduzidas”, explicou.
Orientação à população
Durante a vistoria, a Defesa Civil também esclareceu informações que circulam nas redes sociais sobre o kit de sobrevivência de 72 horas recomendado pela Defesa Civil Nacional. O subsecretário estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Queiroz, explicou que a orientação foi direcionada às regiões Sul e Sudeste, que têm previsão de enfrentar um ciclone extratropical nos próximos dias, e não corresponde ao cenário climático de Sergipe.
“Aqui no estado de Sergipe nós não temos essa preocupação com ciclones. A nossa orientação no momento é do uso consciente da água, para que a gente tenha uma diminuição desse consumo, que nossas barragens possam se recuperar e a gente passe por esse fenômeno de El Niño, de seca e estiagem, com a maior resiliência possível”, esclareceu.
O subsecretário reforçou que o Governo mantém o comitê mobilizado para orientar a população sobre as medidas preventivas. “Estamos com todo o comitê do Governo do Estado preparado para orientar com relação à conscientização do uso da água nos próximos dias”, acrescentou.
A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe as informações divulgadas pelos canais oficiais e evite compartilhar conteúdos sem confirmação dos órgãos técnicos.














