
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), realizou, nesta sexta-feira (6), a cerimônia oficial de celebração do reconhecimento do Theatro da Paz como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O evento, realizado no próprio teatro, em Belém, reuniu representantes de instituições culturais e autoridades, além de uma programação artística aberta ao público, que destacou a diversidade da produção musical e cultural paraense.
O reconhecimento foi concedido ao Theatro da Paz em conjunto com o Teatro Amazonas, localizado em Manaus (AM), sob a denominação “Teatros da Amazônia”. O título foi oficializado em julho de 2026, durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul.
As duas casas de espetáculo representam importantes referências da memória histórica, econômica e cultural do ciclo da borracha na Região Norte, além de expressarem a relação entre a arquitetura neoclássica e a identidade amazônica.
A programação começou com uma coletiva de imprensa que reuniu representantes do Theatro da Paz, da Secult, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Unesco, do Ministério das Relações Exteriores e da Prefeitura de Belém. Em seguida, a cerimônia oficial foi realizada no palco do teatro.
Reconhecimento valoriza a identidade cultural amazônica
O secretário de Estado de Cultura, Bruno Chagas, destacou que o título representa não apenas o reconhecimento da importância arquitetônica do Theatro da Paz, mas também de sua trajetória como espaço de valorização das manifestações artísticas e culturais do Pará.
“Esse reconhecimento vai muito além da arquitetura do Theatro da Paz. Ele valoriza toda a história e o significado cultural que esse espaço representa, desde as companhias teatrais que se apresentavam aqui no final do século XIX e início do século XX até as diferentes manifestações artísticas que passaram por seu palco. É o reconhecimento de um patrimônio que guarda parte fundamental da memória cultural do nosso Estado”, afirmou.
O secretário também ressaltou o papel do teatro como espaço de encontro entre diferentes expressões da cultura amazônica.
“O Theatro da Paz reúne a riqueza e a diversidade da nossa produção cultural. O carimbó, os pássaros juninos, o teatro amador e profissional e as companhias de ópera fazem parte dessa trajetória. É um espaço que expressa a identidade própria do Pará e mantém suas portas abertas para celebrar a cultura produzida pelo nosso povo”, acrescentou Bruno Chagas.
Título amplia projeção internacional da cultura da Amazônia
O presidente nacional do Iphan, Deyvesson Gusmão, destacou que o processo de candidatura dos Teatros da Amazônia foi construído de forma compartilhada entre diferentes esferas de governo e a sociedade.
Segundo ele, o reconhecimento reforça a importância da Amazônia não apenas por seu patrimônio natural, mas também por sua capacidade de produzir cultura, conhecimento e criatividade.
“O que a Unesco reconheceu, o Pará, o Amazonas e o mundo já sabiam: esses dois teatros são fundamentais para compreender a cultura da região. Esse título evidencia a Amazônia como um território produtor de cultura, pensamento e criatividade, que também transforma sua riqueza cultural em oportunidades de geração de renda”, ressaltou.
A coordenadora de Cultura da Unesco, Isabel de Paula, enfatizou a dimensão internacional do reconhecimento e a importância dos dois teatros para o patrimônio cultural mundial.
“O reconhecimento dos Teatros da Amazônia como Patrimônio Mundial ultrapassa fronteiras. Significa que esses espaços não são importantes apenas para Belém, Manaus ou para o Brasil, mas para o mundo inteiro. Eles passam a ter seu valor cultural reconhecido internacionalmente como patrimônio de toda a humanidade”, explicou.
Música e manifestações culturais marcam celebração
A cerimônia também foi marcada por apresentações artísticas que celebraram a diversidade cultural do Pará.
A Amazônia Jazz Band, corpo artístico do Theatro da Paz, apresentou-se com participações especiais das bandas Warilou e Sayonara, além da cantora Gigi Furtado.
A programação contou ainda com a participação do Grupo Parafolclórico Flor da Amazônia, que integrou as apresentações no início da noite.
Aberto ao público, o evento reuniu música e manifestações culturais para celebrar o reconhecimento internacional de um dos principais espaços de expressão artística do Pará.
Texto: Juliana Amaral – Ascom Secult