
Cada vez mais comum em lojas, supermercados e farmácias do Paraná, o sotaque de trabalhadores vindos de outros países é o tema do Sou Cidadão desta terça-feira (29). O programa da TV Assembleia recebe Aline Calefi, gerente de Responsabilidade Social do Sesi Paraná, para conversar sobre a inserção de migrantes no mercado de trabalho e os mecanismos que ajudam a facilitar esse processo.
Aline apresenta o Indústria Acolhedora, projeto criado há dois anos pelo Sesi Paraná. A proposta vai além da contratação. “A gente trabalha com a inclusão”, explica. O objetivo é preparar a indústria para receber e desenvolver esses profissionais, evitando a rotatividade causada por barreiras de idioma e cultura.
Preparação de empresas e trabalhadores
Segundo a entrevistada, o Paraná atrai migrantes por ter um setor produtivo forte, com mais de 70 mil indústrias, e por gerar muitos empregos formais, principalmente em áreas como alimentos e construção civil. Quem chega e encontra oportunidade acaba trazendo amigos e familiares.
Durante a conversa, Aline detalha as frentes do programa: formação de líderes e equipes de recursos humanos, processos seletivos inclusivos, cursos de português e oficinas socioculturais para os migrantes. Ela explica por que exigências como RG e número do PIS podem afastar candidatos e como a liderança tem papel central no acolhimento.
A entrevistada conta casos como o de uma colaboradora cubana formada em Direito que, sem conseguir revalidar o diploma no Brasil, hoje atua na área administrativa. Também cita a indústria de Toledo que serve, uma vez por semana, um cardápio com pratos típicos da nacionalidade dos funcionários, e a empresa de Curitiba que elaborou contratos de trabalho em espanhol.
Resultados e desafios
Nos dois anos de existência, o programa já impactou mais de 260 indústrias, sendo 144 só no último ano. Entre as iniciativas de reconhecimento está o Selo Sesi Indústria Parceira do Migrante, com as categorias Acolhida, Integração e Pertencimento, que premiou 23 empresas na edição passada. Aline também fala do Hub Paraná do Fórum de Empresas com Refugiados, iniciativa do Acnur e do Pacto Global que reúne quase 30 organizações e promove a troca de experiências entre indústria, comércio e serviços.
Ela comenta ainda as diferenças entre a região metropolitana e o interior, onde a falta de moradia e o impacto sobre saúde e educação são desafios maiores, e a falta de informação de alguns empresários sobre a contratação de migrantes com documentação regular. “Se ele está com a documentação em dia, você pode contratar sem problema nenhum”, afirma.
Para a gerente do Sesi, o caminho passa por informação, promoção da diversidade e políticas públicas voltadas aos municípios que recebem mais migrantes. No encerramento, ela deixa um recado à sociedade paranaense: “A gente precisa aprender a respeitar e a valorizar a história de cada um”.
Para assistir o programa na íntegra, basta clicar aqui.