Segunda, 28 de Setembro de 2026

EUA proíbem exportação de diesel; Brasil avalia impactos

EUA preparam proibição de exportação de diesel por 90 dias. Brasil, dependente do combustível importado, avalia impactos em transporte e logística

28/09/2026 às 11h33
Por: Redação Fonte: Istoédinheiro
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No fechamento desta quarta-feira, 19, o diesel estava 14% abaixo do preço internacional, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), enquanto a gasolina registrava defasagem negativa de 5%. (Crédito: Marcello Casal Jr / Agên
No fechamento desta quarta-feira, 19, o diesel estava 14% abaixo do preço internacional, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), enquanto a gasolina registrava defasagem negativa de 5%. (Crédito: Marcello Casal Jr / Agên

Os Estados Unidos finalizam um plano para proibir as exportações de diesel por 90 dias, uma medida que gera divergências significativas tanto no setor petrolífero quanto no próprio governo americano. A iniciativa, revelada nesta quarta-feira (23) pelo “Politico”, acende um alerta no Brasil, que, apesar de ser um exportador de petróleo, depende crucialmente da importação de combustíveis refinados para abastecer seu mercado interno.

O que aconteceu

  • A proibição de exportação de diesel pelos EUA por 90 dias pode impactar o Brasil, que é dependente de combustíveis refinados importados.
  • A medida é vista como uma possibilidade em discussão, com impacto inicialmente limitado para alguns setores, mas com potencial de elevar custos no longo prazo.
  • Empresas de transporte e logística, como Rumo, JSL e Vamos, já avaliam cenários de repasse de custos e possíveis impactos em suas margens e provisões.

Mesmo com uma condição privilegiada como exportador de petróleo bruto, o Brasil depende de importações de combustíveis refinados. Essa realidade torna a notícia da possível restrição de diesel pelos EUA particularmente preocupante para alguns setores da economia nacional.

 

A dependência do diesel importado no mercado brasileiro é o ponto central do risco, especialmente em um momento crucial de temporada de plantio de soja. A maior parte do combustível consumido no país provém dos Estados Unidos, uma vez que as importações russas foram suspensas após o conflito daquele país com a Ucrânia. Para o JPMorgan, as distribuidoras de combustíveis seriam mais impactadas do que a Petrobras, especialmente em relação aos volumes.

Consequências para o setor de transportes e logística

Além do setor de distribuição, empresas ligadas ao transporte avaliam o impacto como limitado, segundo o Bradesco BBI. Em um relatório sobre o tema, o banco pontuou que a possibilidade ainda está em discussão e não configura uma medida concreta, o que, por si só, já reduz o risco imediato e abre espaço para negociações.

O impacto para as companhias que compõem o setor de transportes é variável, considerando a atividade e o potencial de repasse dos custos dentro dos contratos. No entanto, é majoritariamente reduzido, de acordo com as análises.

Para a Rumo (RAIL3), o impacto esperado pelo Bradesco BBI no lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) é limitado no curto prazo. Os analistas explicam que grande parte da carga já está contratada até o fim do ano, e, nesses casos, os custos do diesel são repassados diretamente nos contratos firmados.

Ainda assim, se a situação de escassez perdurar, poderia levar a um aumento dos fretes rodoviários. Essa dinâmica tem potencial de ampliar a competitividade da alternativa logística da Rumo, que possui uma parcela pequena do custo de combustível no custo total de operação de suas rotas ferroviárias.

“Além disso, o transporte rodoviário representa cerca de 50% da extensão total da rota concorrente Sorriso-Miritituba-Barcarena, contra aproximadamente 25% na rota Sorriso-Rondonópolis-Santos. Ressaltamos ainda que subsídios governamentais podem mitigar os impactos sobre os preços efetivos do diesel”, explicam os analistas. A Rumo é recomendada como outperform, com preço-alvo de R$ 18.

 

Setor de locação avalia riscos e oportunidades

Para a JSL (JSLG3), a capacidade de renegociações, como demonstrado em março e abril com o pico dos preços do diesel, evidencia o potencial de redução do impacto sobre as margens. No curto prazo, é possível que a volatilidade dos custos pressione a companhia.

Outra companhia do grupo Simpar (SIMH3), a Vamos (VAMO3) tem o risco associado ao diesel relegado para os clientes. A alta dos preços observada em março e abril deste ano, de cerca de 22%, não provocou retomada significativa de veículos.

Os analistas ainda afirmam que o contrário aconteceu, com as retomadas caindo de R$ 220 milhões por trimestre para R$ 189 milhões. Portanto, o indicador não seria penalizado com uma nova alta de preços, mas as provisões para inadimplência podem aumentar.

Para locadoras de máquinas pesadas, o custo do combustível também é repassado aos clientes. O risco, nesse caso, reside em situações com aumentos expressivos de preço ou escassez, que poderiam prejudicar as operações dos contratantes.

“Em um cenário de escassez, acreditamos que poderia haver aumento das provisões para inadimplência, além de impactos negativos sobre as receitas do segmento de seminovos”, afirma o Bradesco BBI.

Por fim, para locadoras de veículos leves, o impacto seria limitado pela participação pequena de veículos movidos a diesel em suas frotas. Ainda assim, uma eventual escassez poderia prejudicar a logística da produção de veículos no Brasil e o transporte para as distribuidoras.

Nesse cenário, as margens das montadoras poderiam ser pressionadas. A consequência mais direta para as locadoras seria a redução potencial de descontos nos preços de carros novos. Por outro lado, a sustentação de valores para veículos usados seria um ponto interessante para o segmento.

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