
No Happy Tech, primeiro encontro de celebração das empresas de TI e seus colaboradores, a ASSEITI-MT apresentou uma Carta de Intenção apartidária que pede que a tecnologia seja tratada como política de Estado
A ASSEITI-MT (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Inovação de Mato Grosso) realizou, na Stelmat, em Cuiabá, a primeira edição do Happy Tech. O encontro reuniu empresários, colaboradores e parceiros do setor. Além de celebrar o trabalho das empresas de tecnologia do estado, o evento serviu para a entidade entregar a representantes e candidatos ao Executivo e ao Legislativo a Agenda Estratégica de Tecnologia e Inovação de Mato Grosso, uma carta de intenção com 10 compromissos para o desenvolvimento do setor.
Fundada em 1985, a ASSEITI-MT reúne empresas que atuam em software, infraestrutura, conectividade, segurança da informação, segurança eletrônica, inteligência artificial, dados, automação e inovação. A carta foi dirigida a todos os destinatários com o mesmo teor e na mesma data. A associação não apoia nem se opõe a nenhuma candidatura.
Na abertura, o presidente da ASSEITI-MT, Fernando Pereira, também presidente da Log Lab, disse que o Happy Tech inaugura um novo momento para a associação: aproximar empresários e os profissionais que sustentam as empresas no dia a dia.
“Se a gente quer um setor forte, um setor representativo, a gente tem que cada vez mais ter essa união, esse compartilhamento”, afirmou. “Mato Grosso é um estado que tem vocação para o agronegócio, mas o pano de fundo do agronegócio é a tecnologia, como em outros setores. Hoje a tecnologia está no dia a dia de todo mundo.”
Allan Araújo, diretor da associação e da Stelmat, empresa que sediou o evento, reforçou que a força do setor está na atuação conjunta. “Nós não somos concorrentes uns dos outros aqui. O que a gente tem que fortalecer são as empresas locais, para que todas fiquem boas.” Ele lembrou que a representação coletiva já trouxe resultados, como a manutenção da redução da base de cálculo do ICMS para o comércio de produtos de informática. Segundo ele, a medida permitiu que as empresas locais continuassem competitivas diante das vendas pela internet.
Alan também explicou a lógica da carta: “Não vai ser uma empresa que vai lá fazer uma reivindicação. Vamos em nome da associação. É isso que é importante.”
Os 10 compromissos
A Agenda Estratégica parte de uma constatação: Mato Grosso se consolidou nacionalmente pela força do agronegócio e tem condições de se tornar também referência em tecnologia, inovação e economia digital, usando a própria vocação produtiva como plataforma para AgTechs, GovTechs, inteligência artificial e automação. Os compromissos propostos são:
1. Formação e qualificação de mão de obra tecnológica, com programas permanentes em software, IA, dados, cibersegurança, cloud, IoT e outras áreas;
2. Política de competitividade tributária para atrair e manter empresas de tecnologia, data centers, telecom e software;
3. Fundo e programas permanentes de inovação, fortalecendo a FAPEMAT e parcerias com FINEP, CNPq e MCTI;
4. Compras públicas de inovação, para que o Estado deixe de ser só consumidor e passe a induzir o desenvolvimento tecnológico local;
5. Programa Mato Grosso Digital e Inteligente, uma agenda de longo prazo de transformação digital;
6. Interiorização dos polos tecnológicos, levando ambientes de inovação aos principais polos econômicos do estado;
7. Atração de investimentos tecnológicos, com estratégia estadual específica;
8. Integração entre empresas, universidades e centros de pesquisa, incluindo o IFMT e as ICTs;
9. Recursos parlamentares para tecnologia e inovação, com emendas para qualificação, laboratórios e centros de inovação;
10. Governança permanente entre Poder Público e setor de tecnologia, com participação da ASSEITI-MT e acompanhamento de metas e indicadores.
Candidatos recebem a carta
Participaram da agenda o deputado estadual Wilson Santos, candidato à reeleição, e um representante do candidato Coronel Jonildo José de Assis. O governador Otaviano Pivetta, candidato à reeleição, também foi convidado, mas não pôde participar por conflito de agenda. A candidata a vice na chapa, Gisela Simona, que o representaria no evento, teve um contratempo e também não conseguiu comparecer. A associação ficou responsável por fazer a carta chegar até eles.
Wilson Santos reconheceu que a tecnologia ainda é uma área pouco conhecida por boa parte dos parlamentares e sugeriu criar, na Assembleia Legislativa, uma Câmara Setorial Temática de Tecnologia da Informação e Inteligência Artificial, que poderia ser presidida por um representante do próprio setor. O deputado também citou um levantamento que coloca Mato Grosso entre os estados que menos investem proporcionalmente em ciência, tecnologia e inovação. “Nós temos um longo caminho a caminhar, e vocês são os nossos orientadores”, disse.
A proposta vai ao encontro do 10º compromisso da carta, que pede um canal permanente de interlocução entre governo, Assembleia, academia e setor empresarial.
Próximos passos
Ao entregar o documento, a ASSEITI-MT convidou cada destinatário a responder uma pergunta: qual compromisso concreto com o desenvolvimento da tecnologia e da inovação de Mato Grosso é possível apoiar nos próximos quatro anos, e qual poderia ser a primeira entrega dessa agenda?
A associação vai acompanhar os compromissos assumidos em nome de todo o setor. “Tecnologia não é apenas o futuro. É competitividade, produtividade e desenvolvimento no presente”, conclui a carta.
O Happy Tech foi pensado como uma celebração do setor, mas a organização seguiu todas as regras da legislação eleitoral sobre eventos com a presença de candidatos. A agenda política aconteceu separadamente e antes da confraternização: enquanto ela durou, não houve qualquer atividade festiva. A festa do Happy Tech começou somente depois de encerrada a parte institucional, com a saída dos candidatos e representantes.




