Na lista dos mais procurados
Oseguera teve uma longa trajetória de brutalidade antes de fundar o CJNG. Por um tempo, ele atuou como chefe dos pistoleiros, ou principal executor, do Cartel Milenio, antes de supervisionar a segurança e a violência operacional do famoso Cartel de Sinaloa, cujo ex-líder, Guzmán, cumpre pena de prisão perpétua em uma penitenciária dos EUA.
De acordo com a DEA, o CJNG surgiu na década de 2010 a partir dos remanescentes do Cartel Milenio, que se fragmentou em meio a um vácuo de poder após a captura de seu líder, Óscar Nava Valencia, em 2009.
Oseguera construiu o grupo com Abigael González Valencia, líder de Los Cuinis – um cartel familiar que operava em Michoacán e servia como braço financeiro e logístico do CJNG, supervisionando sua “diversa rede de operações de lavagem de dinheiro”, segundo a DEA.
Mas foi somente através do casamento com a irmã de Abigael, Rosalinda González Valencia, que Oseguera obteve influência real na nova organização.
“Na realidade, El Mencho chegou à liderança do cartel por meio de uma estratégia diplomática via casamento”, disse o analista de segurança pública David Saucedo à CNN em Espanhol. “Ele era de fato o chefe dos assassinos de aluguel de ‘Nacho’ Coronel (um líder do Cartel de Sinaloa), mas não tinha a linhagem que Rosalinda, sua esposa, possuía”, acrescentou Saucedo.
O cartel em ascensão rapidamente expandiu sua esfera de influência, conquistando uma presença significativa em todo o México e se tornando um ator-chave no tráfico global de drogas.
Trata-se de uma operação brutalmente violenta, responsável por tentativas de assassinato contra autoridades do governo mexicano e homicídios contra grupos rivais de narcotráfico e policiais mexicanos, segundo o Departamento de Estado dos EUA.
O cartel demonstrou seu poderio bélico em maio de 2015, quando respondeu a uma operação de segurança com bloqueios simultâneos em vários municípios e abateu um helicóptero militar. Três soldados morreram nos confrontos.
No ano seguinte, o grupo foi responsabilizado pelo sequestro audacioso do filho de Guzmán em um restaurante badalado de Puerto Vallarta. Ele foi libertado uma semana depois.
Não demorou muito para que a DEA adicionasse El Mencho à sua lista dos mais procurados.
Ampla rede de narcotráfico
O CJNG está fortemente envolvido na produção e no tráfico de metanfetamina e fentanil, com ligações a fornecedores de precursores químicos na China, e controla diversos portos marítimos para a importação de produtos químicos, segundo as autoridades americanas.
O cartel é “um fornecedor chave de fentanil ilícito” para os EUA, lucrando “bilhões de dólares”, além de ser um dos principais fornecedores de cocaína, de acordo com a DEA.
O grupo tem contatos em mais de 40 países, incluindo as Américas, bem como na Austrália, China e Sudeste Asiático, segundo o Departamento de Estado dos EUA.
O México vinha sofrendo pressão do presidente americano Donald Trump para fazer mais para limitar o fluxo de drogas para os EUA.
Os EUA designaram o CJNG como organização terrorista em fevereiro de 2025, e Oseguera já havia sido indiciado diversas vezes nos Estados Unidos, incluindo uma acusação em 2022 por conspiração para fabricar e distribuir metanfetamina, cocaína e fentanil para importação nos Estados Unidos.
A morte de “El Mencho” no domingo gerou comoção em todo o país. Mas isso não necessariamente paralisará o bilionário tráfico de drogas do CJNG.
A DEA afirma que a organização criminosa é estruturada como uma franquia, e, segundo Eduardo Guerrero, diretor do grupo de consultoria mexicano Lantia Intelligence, ela é composta por cerca de 90 organizações.
“Essa fragmentação significa que será necessária uma estratégia mais complexa e sofisticada para enfraquecê-los e desmembrá-los”, disse Guerrero à CNN no início deste ano.
O exército e a polícia mexicanos, apoiados pela inteligência e equipamentos dos EUA, já tentaram eliminar chefões do narcotráfico antes. Mas outros surgiram para ocupar seus lugares, e toneladas de drogas continuaram a cruzar a fronteira com os EUA.
