
Com o tema “Violência sexual contra crianças e adolescentes: infância interrompida, traumas silenciosos e vidas marcadas para sempre”, a Câmara promoveu na manhã desta quarta-feira, 14, uma roda de conversa entre os servidores e a assistente social, Iara do Vale.
O momento alude à Campanha Maio Laranja – dedicada às ações de combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. É durante este período também que ocorre o “18 de maio”, conhecido como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Abuso x Exploração Sexual
A facilitadora iniciou sua fala demarcando a diferença entre abuso e exploração sexual infantil. Sendo o primeiro a utilização da sexualidade da criança para satisfação pessoal do agressor e o segundo o uso da criança para fins lucrativos.
E destacou a importância das campanhas de conscientização das quais a Maio Laranja é a mais emblemática. Ela chama atenção dos pais e responsáveis que devem estar alertas a qualquer situação de perigo e manter um canal de diálogo com aqueles que estejam sob sua proteção.
A criança pode voltar a ter uma vida normal?
Outro tópico apontado por Iara é a vida após o abuso. A profissional explicou que a vítima carrega traumas que permeiam a vida adulta. Daí a necessidade da ajuda e do acompanhamento profissional, de modo a dar as condições para que a criança ou o adolescente lidem com a carga emocional.
É comum que as vítimas apresentem sinais, sendo os mais comuns: mudanças comportamentais, problemas psicossomáticos, ou seja, enfermidades sem causa aparente e interesse repentino por questões sexuais. Esses sinais podem ser o meio de identificá-las.
Escuta Protegida
Por fim, Iara do Vale reforçou a responsabilidade social de cada cidadão para com o abusado. Ela falou sobre acolhimento e sobre a melhor forma de atender uma criança/adolescente que busca ajuda. O importante, disse ela, é dar a devida atenção ao relato, adequando a linguagem à faixa etária daquele que relata.
Segundo Iara, a escuta deve ser feita imediatamente, mediante o interesse da vítima, que deve ter atenção total do ouvinte. O adulto deve estar atento ao máximo de detalhes que devem ser reportados posteriormente às autoridades.
Sobre a iniciativa da Câmara, Iara do Vale frisou a necessidade do trabalho em rede. “A gente precisa dessa comunicação, precisamos desse momento em rede. Isto é um trabalho em rede e é muito importante porque nós não trabalhamos sozinhos. Sempre falo que essa intersetorialidade dos equipamentos e das políticas públicas faz uma grande diferença!”, finalizou.
A roda de conversa é uma realização do Departamento Médico de Assistência aos Servidores, por meio do Serviço Social; Diretoria de Comunicação, por meio do Departamento de Comunicação Organizacional; e Setor de Recursos Humanos, por meio da Psicologia.
Saiba Mais
O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Sol e Mar, atua nos casos em que a violência já foi consumada. Iara do Vale é coordenadora da entidade.
A seccional Sol e Mar possui uma cobertura de 88 bairros e, atualmente, acompanha 32 casos de abusos e um caso de exploração sexual. A coordenadora reforçou que o CREAS não possui poderes investigativos e punitivos, mas faz o acolhimento da família e das vítimas.