Sábado, 07 de Novembro de 2026

Governo do Acre integra sessão solene da Câmara de Brasileia em homenagem à Elyne Assis e cobra rigor no combate ao feminicídio

Em um gesto de profunda comoção, solidariedade e compromisso institucional, o governo do Acre, representado pelas secretarias de Estado de Saúde (S...

07/11/2026 às 12h11
Por: Redação Fonte: Secom Acre
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Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

Em um gesto de profunda comoção, solidariedade e compromisso institucional, o governo do Acre, representado pelas secretarias de Estado de Saúde (Sesacre) e da Mulher (Semulher), participou nesta sexta-feira, 6, da sessão solene promovida pela Câmara Municipal de Brasileia em memória da médica Elyne Assis Nogueira. A solenidade, conduzida pelo presidente do Poder Legislativo municipal, vereador Marquinhos Tibúrcio, reuniu gestores públicos, autoridades locais e familiares para prestar homenagens e cobrar rigor na responsabilização pelo feminicídio da profissional.

Representando a governadora Mailza Assis, as secretarias de Saúde e da Mulher reiteraram o compromisso do Estado na proteção feminina, no fortalecimento da saúde mental dos servidores e no apoio à rigidez das investigações.Foto: Ingrid Kelly/Secom
Representando a governadora Mailza Assis, as secretarias de Saúde e da Mulher reiteraram o compromisso do Estado na proteção feminina, no fortalecimento da saúde mental dos servidores e no apoio à rigidez das investigações.Foto: Ingrid Kelly/Secom

Representando a governadora Mailza Assis, o secretário de Estado de Saúde, José Bestene, destacou o empenho da gestão estadual em prestar assistência aos profissionais de saúde do município e confortar a família da médica.

“A nossa governadora não pôde estar presente, mas fez questão de pedir que a representássemos aqui. Mais cedo, realizamos uma ação essencial no Hospital Regional, onde levamos apoio psicológico aos servidores. Reitero o nosso total repúdio a este crime bárbaro que chocou o nosso estado e o país. A saúde é uma missão que exige amor ao próximo, e Elyne dedicou sua vida a cuidar das pessoas em Brasiléia. É profundamente doloroso ver uma trajetória interrompida de forma tão brutal. A violência contra a mulher não pode ser naturalizada; exige uma resposta firme de todas as instituições para que os envolvidos não fiquem impunes”, declarou o secretário José Bestene.

Pai de Elyne, Regi Carlos Wolter, recebeu uma placa de homenagem entregue pelo secretário José Bestene.Foto: Ingrid Kelly/Secom
Pai de Elyne, Regi Carlos Wolter, recebeu uma placa de homenagem entregue pelo secretário José Bestene.Foto: Ingrid Kelly/Secom

Defesa das mulheres e fortalecimento das políticas públicas

A garantia de autonomia, a conscientização sobre os direitos e o combate continuado ao ciclo de violência foram os pontos centrais levantados pelas gestoras e representantes das políticas públicas para as mulheres durante o ato.

A secretária adjunta de Saúde, Suellen Carlos, destacou que a proteção feminina e o acesso à saúde caminham integrados no dever do Estado.

“Estamos aqui para reafirmar o nosso compromisso em defesa das mulheres e contra a violência que perpetua na nossa sociedade. Como gestores e sociedade, temos o dever de construir uma rede de cuidados que proteja a vida, acolha as dores invisíveis e garanta a cada mulher o direito de viver sem medo. Que a memória e a vida de dedicação da Elyne sirvam de inspiração para transformarmos a dor em atitude diária de proteção”, ressaltou a secretária adjunta Suellen Carlos.

Pela Secretaria de Estado da Mulher, a representante Gigliane Santana enfatizou a urgência de identificar os sinais precoces de abuso e apoiar as vítimas na conquista da independência econômica e emocional.

“A agressão não começa no disparo; ela começa no controle psicológico, quando alguém impõe como a mulher deve se portar ou o que vestir. Trabalhamos para garantir apoio jurídico, psicológico e autonomia financeira, pois muitas mulheres permanecem em ciclos violentos por dependência econômica. Não podemos permitir que essa dor caia no esquecimento. Se você sofre qualquer tipo de coação ou violência, procure ajuda, fale, não se cale”, apelou Gigliane Santana.

Memória, apelo por justiça e memória histórica

Durante a sessão, o prefeito de Brasileia, Carlos Armando de Souza, relembrou a dor histórica do município diante de crimes violentos contra a mulher, mencionando casos marcantes do passado da cidade e defendendo a atuação firme dos órgãos de segurança e da Justiça.

“Não podemos deixar a impunidade prevalecer. A pessoa que cometeu esse crime tem que pagar na cadeia. Que seja feita a justiça da terra, a justiça dos homens e a justiça de Deus, garantindo que a resposta institucional seja exemplar para a nossa população”, afirmou.

O momento de maior comoção ocorreu com o depoimento do representante da família, Francisco Nogueira, que resgatou a trajetória de superação, dedicação acadêmica e compromisso humano de Elyne Assis com a população do Alto Acre.

“Ela era uma mulher de origem humilde e infância difícil que buscou seu sonho, se tornou médica e dedicou seu trabalho humano e carinhoso ao SUS e aos pacientes de Brasiléia. A Elyne teve a coragem de denunciar e pedir ajuda. O que pedimos agora é que a justiça aconteça sem demora, indo até o fundo para identificar e julgar todos os envolvidos, sem privilégios ou brechas. A morte dela não pode virar apenas mais uma estatística; temos a obrigação de entender o que falhou para proteger outras vidas”, concluiu Francisco Nogueira.

Ao término da solenidade, o presidente da Casa, Marquinhos Tibúrcio, e os demais parlamentares colocaram o Legislativo municipal à disposição para fortalecer a fiscalização, acompanhar os desdobramentos do caso e apoiar a implementação de novas ferramentas de proteção e acolhimento às mulheres em Brasileia.

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