Sexta, 30 de Outubro de 2026

Dr. João tem projeto aprovado para oferecer apoio psicológico a famílias que perderam alguém por suicídio

Dr. João tem projeto aprovado para oferecer apoio psicológico a famílias que perderam alguém por suicídio

30/10/2026 às 15h37 Atualizada em 30/10/2026 às 15h43
Por: Redação
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Matheus Cassimiro
Matheus Cassimiro

A dor de perder alguém por suicídio pode deixar marcas profundas em toda a família. Para garantir que essas pessoas também recebam atenção e cuidados com a saúde mental, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, nesta quarta-feira (28), em segunda votação, um projeto de lei do deputado estadual e primeiro-secretário Dr. João (MDB), que prevê acolhimento humanizado e acompanhamento psicológico para familiares que enfrentam esse tipo de perda.

De autoria do parlamentar, o Projeto de Lei nº 493/2026 amplia o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio e à Automutilação, incluindo entre suas diretrizes a garantia de assistência psicossocial aos familiares enlutados. A proposta reconhece que os efeitos de uma morte por suicídio não atingem apenas quem perdeu a vida, mas também aqueles que permanecem e precisam lidar com o sofrimento.

"Quando uma pessoa morre por suicídio, a dor não termina naquele momento. Ela continua dentro de casa, com os pais, os filhos, os irmãos e todos que amavam aquela pessoa. São famílias que muitas vezes sofrem em silêncio, sem saber onde procurar ajuda. Nosso projeto é justamente para que elas não fiquem sozinhas nesse momento tão difícil", destacou Dr. João.

Médico nefrologista, o deputado explica na justificativa que os familiares frequentemente enfrentam situações de sofrimento psicológico intenso, dificuldades para elaborar o luto e maior risco de desenvolver problemas relacionados à saúde mental.

A intenção é fazer com que essas pessoas também sejam contempladas pelas políticas públicas de prevenção, recebendo atenção especializada para enfrentar um dos momentos mais difíceis de suas vidas.

Pelo texto aprovado, o atendimento deverá incluir acolhimento humanizado, escuta qualificada e acompanhamento psicológico individual ou em grupo. Quando necessário, os familiares também deverão ser encaminhados para serviços especializados de saúde mental.

"Não podemos olhar apenas para a prevenção e esquecer de quem ficou. Muitas vezes, uma mãe, um pai ou um filho carrega uma culpa que não deveria carregar, além de uma tristeza enorme. Essas pessoas precisam ser ouvidas, acolhidas e acompanhadas por profissionais preparados. Cuidar da saúde mental também é cuidar dessas famílias", afirmou o parlamentar.

O cuidado com quem fica

Um dos principais pontos do projeto é o fortalecimento da chamada pósvenção, conjunto de estratégias de apoio direcionadas às pessoas afetadas por uma morte por suicídio.

Diferentemente das ações tradicionais de prevenção, que procuram identificar situações de risco e evitar mortes, a pósvenção concentra esforços no acolhimento daqueles que enfrentam o luto.

Segundo a justificativa apresentada por Dr. João, esse acompanhamento busca reduzir os danos emocionais provocados pela perda, contribuir para a recuperação psicológica dos familiares e também prevenir novos casos de suicídio.

Atualmente, Mato Grosso possui o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio e à Automutilação, instituído pela Lei nº 10.598, de 26 de setembro de 2017. A proposta do deputado acrescenta a essa legislação a garantia de atendimento psicossocial aos familiares enlutados, ampliando o alcance das políticas públicas de saúde mental no estado.

"Como médico, sempre defendi que a saúde precisa ser tratada de forma completa. Não basta cuidar apenas do corpo. O sofrimento emocional também precisa de atenção. Queremos que o poder público esteja presente para oferecer apoio a essas famílias, com respeito, humanidade e dignidade", ressaltou Dr. João.

Apresentado em abril deste ano, o Projeto de Lei nº 493/2026 foi aprovado em segunda votação durante a 54ª Sessão Ordinária da Assembleia Legislativa, realizada em 28 de outubro. A matéria ainda precisa cumprir os trâmites legislativos restantes e receber a sanção do governador para entrar em vigor.

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