
A criatividade, a pesquisa científica e o desenvolvimento de soluções tecnológicas ganharam destaque na participação dos estudantes da rede pública estadual na 2ª Feira de Inovação, Tecnologia, Empreendedorismo e Ciência (Feitec), promovida pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE). O evento reuniu jovens pesquisadores, professores, instituições de ensino e representantes do ecossistema de inovação, evidenciando o potencial da educação pública para a formação de novas gerações de cientistas e empreendedores.
Com projetos que vão do desenvolvimento de aplicativos educacionais à robótica, os estudantes apresentaram resultados de pesquisas realizadas no ambiente escolar e demonstraram como o acesso ao conhecimento científico, às tecnologias e às experiências de intercâmbio pode ampliar horizontes e contribuir para a construção de soluções conectadas às necessidades da sociedade.
A participação dos alunos reforça o compromisso da Secretaria de Estado da Educação (Seed) com uma formação que ultrapassa os conteúdos curriculares, incentivando o pensamento crítico, a criatividade, o trabalho em equipe e a aplicação prática dos conhecimentos. Entre os jovens presentes estavam estudantes que se destacaram no Educkathon, maratona de inovação educacional, e tiveram a oportunidade de participar do Programa Sergipe no Mundo, no eixo tecnológico.
Para o presidente da Fapitec/SE, Alex Garcez, a feira representa uma oportunidade de aproximar a produção científica da sociedade e reconhecer o potencial dos jovens sergipanos. “Sergipe tem o compromisso de fortalecer a ciência, a pesquisa e a inovação tecnológica como instrumentos de desenvolvimento social e econômico. A participação expressiva dos estudantes da rede pública na Feitec demonstra que investir em educação científica é investir no futuro do nosso estado. Quando criamos oportunidades para que os jovens pesquisem, experimentem e apresentem suas ideias, contribuímos para formar profissionais capazes de desenvolver soluções inovadoras para os desafios de Sergipe e do Brasil”, destaca.
A secretária de Estado da Educação, Gilvânia Guimarães, também ressalta a importância da presença dos estudantes em espaços de divulgação científica, nos quais eles podem compartilhar experiências, apresentar projetos e reconhecer o alcance de suas próprias capacidades. “É motivo de orgulho ver nossos estudantes ocupando espaços de ciência e inovação, apresentando projetos construídos nas escolas e demonstrando tudo o que são capazes de realizar. Programas como o Educkathon e o Sergipe no Mundo ampliam oportunidades, estimulam a criatividade e mostram aos nossos jovens que o conhecimento pode abrir portas para novas experiências e possibilidades profissionais. Nosso compromisso é continuar fortalecendo uma educação pública que incentive a pesquisa, a inovação e o protagonismo estudantil”, afirma.
Intercâmbio amplia horizontes e aprimora projetos
Entre os destaques da feira estão os estudantes do Centro de Excelência Deputado Joaldo Vieira Barbosa, localizado em Salgado, que apresentaram um aplicativo educacional desenvolvido para contribuir com o processo de aprendizagem. A equipe participou do Programa Sergipe no Mundo, no eixo tecnológico, e acaba de retornar de uma experiência internacional na China.
O projeto foi concebido ainda em Sergipe, com uma proposta de interface adaptável ao perfil do usuário, buscando tornar a experiência de estudo mais personalizada e contribuir para o rendimento escolar. Durante o intercâmbio, os jovens tiveram contato com outras plataformas, modelos de gestão e soluções tecnológicas, conhecimentos que ajudaram a identificar possibilidades de aprimoramento do sistema.
Para Fernando Pádua de Oliveira, integrante da equipe, a experiência internacional permitiu compreender melhor como tecnologias desenvolvidas em larga escala podem ser adaptadas às necessidades locais. “Uma das coisas mais interessantes foi conhecer outros tipos de plataformas e entender como funciona a gestão de sistemas em empresas de grande porte. Conseguimos observar essas soluções e pensar em como adaptá-las à realidade do nosso estado. Foi uma experiência muito enriquecedora, principalmente por estarmos em contato com um polo de tecnologia tão desenvolvido”, relata o estudante.
Robótica e criatividade na prática
A robótica também esteve entre as atrações apresentadas pelos estudantes da rede estadual. A aluna Emilly Gabriele Coelho de Jesus, da 1ª série do ensino médio do Centro de Excelência Dom José Luciano Cabral Duarte, em Aracaju, apresentou projetos desenvolvidos pela equipe de robótica da escola, que participa de competições com diferentes modalidades de robôs.
Um dos modelos é o robô seguidor de linha, programado para percorrer trajetos, realizar curvas, desviar de obstáculos e cumprir desafios de resgate. Em uma das etapas, o equipamento precisa identificar áreas delimitadas e transportar objetos que representam vítimas para locais específicos, de acordo com as regras da competição.
A equipe também trabalha com o robô de apresentação artística, que interage com uma pessoa durante performances de dança e teatro, acompanhando movimentos e compondo uma apresentação conjunta. A modalidade combina programação, criatividade e expressão artística, demonstrando como a tecnologia pode dialogar com diferentes áreas do conhecimento.
A trajetória da estudante também inclui a participação no Educkathon, no qual sua equipe conquistou a vitória, e no Programa Sergipe no Mundo, no eixo tecnológico, com intercâmbio em San Rafael, na Califórnia, Estados Unidos.
Emilly conta que o resultado no Educkathon foi recebido com surpresa e emoção, especialmente pelo esforço coletivo empregado na elaboração do projeto. “Quando a gente ganhou, ninguém da equipe acreditou. Foi algo extremamente surreal, porque tínhamos nos esforçado muito e trabalhado naquele projeto mesmo com pouco tempo. A vitória foi uma recompensa por todo o nosso empenho. O intercâmbio também foi uma experiência incrível. Depois de voltar, minha vontade é me dedicar ainda mais aos estudos e aos projetos, ampliar meus conhecimentos e conquistar novas oportunidades”, afirma.
Para a jovem, a experiência internacional ampliou as perspectivas de futuro e fortaleceu o desejo de continuar investindo na formação acadêmica e no desenvolvimento de projetos. A participação na Feitec representa mais uma oportunidade de compartilhar o conhecimento adquirido e inspirar outros estudantes a explorar o universo da ciência e da tecnologia.
Unese aposta em formação voltada à inovação
A 2ª Feitec também abriu espaço para a apresentação da proposta acadêmica da Universidade Estadual de Sergipe (Unese), instituição em processo de implantação que pretende desenvolver uma formação superior orientada à tecnologia, à inovação e às necessidades estratégicas do estado.
Representando o reitor, professor José Ricardo Santana, o pró-reitor de Graduação, Claudio Macedo, destacou que a nova universidade terá uma proposta pedagógica baseada em metodologias ativas de aprendizagem, com a participação dos estudantes em projetos integrados aos conteúdos curriculares. “Será uma universidade diferente, absolutamente conectada ao que estamos vendo nesta feira: uma instituição dedicada à tecnologia e à inovação. Queremos formar pessoas motivadas, capazes de trabalhar em equipe, desenvolver projetos e transformar conhecimento em soluções concretas. A proposta é que, a cada semestre, os estudantes concluam seus trabalhos com um produto ou resultado desenvolvido ao longo do processo de aprendizagem”, explica.
Segundo Macedo, a universidade deverá iniciar suas atividades acadêmicas em agosto de 2027, com sete cursos distribuídos entre as áreas de energia e tecnologia digital. A estrutura acadêmica está organizada em dois centros: o Centro de Tecnologia Digital (CTD) e o Centro de Tecnologia em Recursos Estratégicos (CTE). “A proposta prevê uma organização interdisciplinar, sem departamentos, na qual os professores trabalharão de forma integrada para desenvolver projetos que articulem os conteúdos de cada período letivo. A iniciativa busca aproximar ensino, pesquisa e inovação, estimulando a participação dos estudantes na criação de soluções tecnológicas”, conclui.









