Quarta, 07 de Outubro de 2026

TV Assembleia: Conversa Saudável debate aumento do consumo de álcool entre mulheres

Psiquiatra Gustavo Sehnem explica as causas do fenômeno, os riscos para o organismo feminino e onde buscar tratamento gratuito.

07/10/2026 às 15h51
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná
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Ambientes sociais e pressão do grupo estão entre os fatores que explicam o aumento do consumo feminino. - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ambientes sociais e pressão do grupo estão entre os fatores que explicam o aumento do consumo feminino. - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O consumo de álcool entre as mulheres dobrou nos últimos 20 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Para entender esse fenômeno, o prorama Conversa Saudável, da TV Assembleia, recebe o psiquiatra Gustavo Sehnem, que fala sobre as causas do aumento, os riscos para a saúde e os caminhos para quem precisa de apoio.

Na conversa, o especialista relaciona o avanço do consumo à entrada das mulheres em ambientes antes predominantemente masculinos, como o mercado de trabalho e os encontros sociais, e à pressão para acompanhar o grupo. Ele também cita a dupla jornada e a propaganda que associa a bebida a relaxamento e bem-estar. "Parece que, para ter um momento bom, a gente tem que ter a presença do álcool", observa.

O psiquiatra explica ainda por que o corpo feminino sofre mais com os efeitos da bebida. Por terem menor proporção de água na composição corporal e metabolizarem o álcool de forma diferente, as mulheres atingem concentrações alcoólicas mais altas com a mesma quantidade ingerida. Segundo ele, isso acelera o surgimento de complicações, fenômeno conhecido como efeito telescópico.

Entre os riscos apontados estão a cirrose, a esteatose hepática, alterações de memória e concentração, deficiência de vitaminas e maior incidência de alguns tipos de câncer, incluindo o de mama. Sobre a existência de um limite seguro, a resposta é direta: a orientação atual é de que "não existe uma dose segura".

Gustavo Sehnem também aborda a relação entre álcool, ansiedade e depressão. A bebida pode parecer um alívio no início, mas, por ser depressora do sistema nervoso central, tende a agravar o quadro com o tempo. O mesmo vale para o sono: quem bebe para dormir até pega no sono mais rápido, mas o descanso é entrecortado e pouco reparador.

O programa destaca ainda os sinais de alerta que merecem atenção, como o aumento da tolerância, a sensação de que "falta algo" no fim do dia, a dificuldade de parar na primeira taça e o incômodo com comentários de pessoas próximas. O especialista chama atenção para o preconceito que ainda recai sobre a mulher que bebe, o que muitas vezes leva ao consumo escondido, dentro de casa, e dificulta a busca por tratamento. "Ninguém nasce alcoólatra, a gente desenvolve", lembra.

Outro ponto da entrevista é o papel da família e da cultura na naturalização do álcool. O psiquiatra alerta para os riscos do contato precoce, já que quanto mais cedo o início, maior a chance de dependência, e comenta experiências de outros países e a campanha antitabagismo no Brasil, que reduziu o número de fumantes de forma expressiva.

Para quem se identificou com o tema, Sehnem lembra que há ajuda disponível. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento nas unidades de saúde e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) álcool e drogas, que funcionam com porta aberta e equipe multiprofissional. Há também os grupos de Alcoólicos Anônimos e o acompanhamento com médicos e psicólogos. O primeiro passo, segundo ele, é reconhecer o problema, sem esperar que a situação se agrave. "Uma característica comum das dependências é perder o controle", alerta.

Para conferir o programa na íntegra, clique aqui.

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