Quarta, 26 de Agosto de 2026

3 pontos para entender a eliminação do Brasil na Copa

Seleção perde para a Noruega e é desclassificada do torneio nos EUA. Erros durante o jogo foram cruciais, mas equipe também paga por ciclo instável

07/07/2026 às 15h52 Atualizada em 07/07/2026 às 15h53
Por: Redação Fonte: Nexojornal
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RAFAEL RIBEIRO / CBF Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/07/05/brasil-eliminado-noruega-copa-2026 © 2026 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redi
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O Brasil perdeu neste domingo (5) por 2 a 1 para a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo de futebol masculino. É a pior campanha da seleção desde 1990, quando foi eliminada na mesma fase pela Argentina. 


A derrota em Nova Jersey encerra uma campanha oscilante nos Estados Unidos, que começou com uma má atuação no empate contra Marrocos, evoluiu nos jogos seguintes contra Haiti e Escócia e trouxe confiança após a virada sobre o Japão pelo primeiro jogo do mata-mata.


Neste texto, o Nexo destrincha três pontos para entender o que levou o Brasil a ser eliminado pela terceira vez consecutiva para uma seleção de segundo escalão na Copa, assim como aconteceu em 2018, diante da Bélgica, e em 2022, contra a Croácia. 


Os erros no jogo

Brasil entrou em campo com a proposta de explorar contra-ataques, esperando o erro da Noruega. Com isso, o adversário ficou com a bola a maior parte do tempo.


34%


foi a posse de bola do Brasil na derrota contra a Noruega por 2 a 1 nas oitavas da Copa do Mundo de 2026; foi o menor índice da seleção em um jogo de Copa em 60 anos


O início da partida foi movimentado, em parte por causa da desorganização da seleção. Os noruegueses começaram marcando por pressão, recuperando rápido a bola sempre que ela estava nos pés dos jogadores brasileiros. Aos três minutos, a Noruega aproveitou um erro de passe e marcou um gol, anulado por impedimento. 


Então, no primeiro ataque do Brasil, veio a sua melhor chance. Aos 10 minutos, Matheus Cunha foi derrubado na área, em uma falta marcada com ajuda do VAR (assistente de vídeo). Bruno Guimarães, que só tinha cobrado três pênaltis na carreira, bateu e errou – o goleiro Nyland defendeu. 


A dinâmica do jogo então se estabilizou. O Brasil acertou seu posicionamento, sem ser surpreendido por infiltrações da Noruega. Os noruegueses, por sua vez, ficavam trocando passes no meio de campo e na defesa, tentando se expor o mínimo possível ao erro. 


No segundo tempo, o técnico Carlo Ancelotti colocou Endrick no lugar de Matheus Cunha. Xodó da torcida brasileira, ele perdeu uma grande oportunidade aos 13 minutos. 


O jogo parecia à feição do Brasil, que passou a ocupar mais o campo de ataque. Rayan e Bruno Guimarães obrigaram o goleiro Nyland a fazer boas defesas. Do lado da Noruega, o meia Odegaard, principal armador do time, não parecia mais ter a mesma liberdade para articular as jogadas. 


Aos 22 minutos, Ancelotti tirou Rayan e Martinelli, que bloqueavam as incursões norueguesas pelos lados do campo, e colocou Danilo Santos e Neymar. O esquema da seleção mudou, já que Neymar, veterano e voltando de lesão, tinha pouco a entregar quando a bola estava com o adversário. Endrick, que não tem características de marcação, passou a ocupar a posição de Rayan na direita; Vinicius Júnior, antes desincumbido de acompanhar os ataques da Noruega, ficou mais postado à esquerda.


A seleção perdeu o ímpeto e a Noruega voltou a rodar a bola. Até que, aos 34 minutos, Schjelderup cruzou para Haaland abrir o placar, de cabeça. O Brasil tentou se lançar ao ataque, de forma estéril. Ainda assim, quase empatou, em uma bola dividida em que zagueiro norueguês Ajer acertou a trave da própria meta. 


Aos 44 minutos, Haaland, de novo, fez 2 a 0 em um chute da entrada da área. A eficiência do atacante norueguês, que pouco havia tocado na bola até então, não surpreendeu. Ele é um dos artilheiros da Copa, com sete gols. Pela Noruega, são 62 gols em 53 partidas. 


A eliminação já era dada como certa, mas ainda tinha jogo. Aos 52 minutos, Casemiro sofreu mais um pênalti. 


Dessa vez, o batedor foi Neymar, que pouco antes tinha levado um cartão amarelo por dar um pontapé em Odegaard. Antes da cobrança do pênalti, ele trocou provocações com o goleiro. Fez o gol e, em vez de tentar dar reinício rápido ao jogo, continuou discutindo com os adversários.


Foi a imagem final da participação de Neymar na Copa de 2026, que foi posta em dúvida ao longo de todo o ciclo de preparação para o torneio. O astro é o maior artilheiro da história da seleção brasileira e foi o principal jogador do país nas três edições anteriores do torneio, mas, vítima de seguidas lesões, não vestia a camisa amarela havia quase três anos antes do início da Copa. 


Mesmo assim, Ancelotti – que não havia convocado o atleta para nenhum dos jogos em que estivera à frente da seleção – resolveu selecioná-lo para o torneio, em meio à pressão de parte da torcida, de influenciadores e dos próprios jogadores. Minutos depois de ter seu nome confirmado pelo italiano, Neymar lançou uma série de anúncios com marcas parceiras celebrando o seu retorno.


Se a trajetória de Neymar na seleção parece estar no fim, o mesmo não se pode dizer de Ancelotti. Um mês antes do início do torneio na América do Norte, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou a renovação do contrato do técnico até a Copa de 2030.


As lesões

A probabilidade de que Neymar fosse chamado para a Copa aumentou conforme alguns dos principais jogadores de ataque do Brasil se lesionavam às portas do torneio. 


Primeiro foi Rodrygo, do Real Madrid, da Espanha, titular na maioria das partidas da seleção depois da Copa de 2022. Depois, foi a vez de Estêvão, do Chelsea, da Inglaterra, uma das maiores revelações do futebol brasileiro e que, sob Ancelotti, se tornou peça-chave do time.


O ataque não foi o único setor a sentir a ausência de atletas por questões físicas. O zagueiro Éder Militão, preferência do técnico para a lateral direita, também se machucou no primeiro semestre. Seu substituto imediato, Wesley, já convocado para a Copa, sofreu uma lesão em um amistoso preparatório contra o Egito e teve que ir para a casa. O titular da seleção na posição acabou sendo Danilo, de 34 anos, que não é sequer titular de seu clube, o Flamengo – onde, aliás, joga como zagueiro. 


Durante o torneio, vieram mais lesões. O atacante Raphinha sofreu um estiramento muscular no segundo jogo, contra o Haiti, e teve que ser afastado. A depender da evolução do tratamento, esperava-se que ele voltasse nas quartas de final ou nas semifinais, caso o Brasil passasse da Noruega. 


O meio campista Lucas Paquetá, também titular da equipe, foi outro que teve uma lesão muscular no jogo contra o Japão. Quanto a ele, no entanto, não havia esperanças de um retorno. Os médicos já haviam sinalizado que as chances de ele voltar a jogar antes do fim da Copa eram muito baixas. 


O ciclo instável

Logo após a eliminação para a Croácia em 2022, o Brasil teve o seu pior ciclo pós-Copa já registrado, com cinco derrotas nos nove primeiros jogos. Além disso, 2023 foi a primeira vez em que o Brasil teve três derrotas consecutivas desde 2001 e que perdeu uma partida de eliminatórias para a Copa do Mundo em território nacional, contra a rival Argentina, no Maracanã.  


Depois, o Brasil foi eliminado pelo Uruguai nas quartas de final da Copa América de 2025. E, apesar da classificação para a Copa do Mundo, teve seu nas eliminatórias sul-americanas, ficando na quinta colocação. 


O ciclo para a Copa do Mundo também foi marcado pela troca de treinadores da seleção. Antes da chegada de Carlo Ancelotti, Ramón Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior exerceram o cargo. 


A vinda de Ancelotti era um desejo antigo do ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ednaldo Rodrigues. Por isso, Menezes e Diniz treinaram o Brasil interinamente: a intenção era fazer a transição do trabalho para o italiano, que cumpria seu contrato no Real Madrid, da Espanha. O estrangeiro recusou uma primeira investida da seleção – que terminou contratando Dorival Júnior em 2024 –, e assumiria o cargo em maio de 2025.  


Não foi só a comissão técnica que trocou de comando. Rodrigues foi destituído da presidência da CBF em dezembro de 2023, após a Justiça identificar erros em sua eleição um ano antes. Ele foi reconduzido ao cargo no mês seguinte, após liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). 


O cartola viria a se reeleger em março de 2025, mas foi afastado do cargo dois meses depois após ser acusado de falsificar assinaturas em um acordo que ratificou o resultado de sua primeira eleição. Samir Xaud assumiu como presidente da CBF em maio de 2025, e está no cargo desde então. 

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